terça-feira, 6 de maio de 2008

Caminhada

Noite escura, noite fria

Passos lentos, voz tardia

Versos simples sem razão

Rumo ao sol da escuridão

Chuva forte, chuva minha

Lágrimas escorrem dos meus olhos

E corrói meu coração

Tudo é nada, falta luta , e a liberdade

Pode ser coisa de ilusão

Só há regras sem perdão

Ter trabalho, ter dinheiro, ter uma mansão

Essa tal felicidade que destrói os nossos irmãos

Desigualdade, injustiça, falta de opção

E a fome corrói as engrenagens do corpo

marcado por essa prisão

Cadê a fonte de luz das estrelas, que continuam brilhando, apesar das tempestades ?

Ainda que o calor seja intenso, o suor é frio

No silêncio vazio que precede os gritos habita o temor das atrocidades

Há muitas coisas para se sentir , mas só uma para ser feliz ... você o que vai dizer ?

O que você está procurando na chuva ?

Fênix

Dores intensas no inconsciente

Fortes espinhos furam o cérebro de um indigente

A lágrima quente no rosto marcado

Pelas garras quebradas de um fuzilado

Fracassado pela fórmula do sonho egoísta de um condenado


Dos escombros se levanta a fênix da promessa de salvação

Com passos arrastados pela dor

Luta contra a criatura das armas escuras

Com a esperança de vitória no coração


Vozes ecoam pelas fendas da mente

Chegam às cordas da laringe

Num silvo desesperado de serpente

Prestes a atacar quem ousar se aproximar


As asas da fênix foram quebradas

Mas suas pernas vão lhe sustentar

Por onde tudo é sem apoio, sem destino

Vê caindo da mão de um menino

Um punhal com a lâmina a brilhar

Se esforçando para que o choro demente

Lave o solo do sangue inocente

E se entregue para se salvar